A lenda & a produtora

Sobre a Tupã Trance

Cervo espectral de olhos vermelhos, um dos guardiões de Anhangá

A lenda de Anhangá

O Guardião das Matas

Antes mesmo de existir nome para o medo, os povos Tupi-Guarani já sabiam: a mata tem dono. Não um dono que manda ou possui, mas um guardião que cuida. Um espírito mais antigo que qualquer aldeia, que anda entre as árvores na forma de um veado branco, com olhos brilhando como brasa na escuridão. Esse é Anhangá.

Nas histórias passadas de pai para filho, Anhangá não é um deus distante. Ele está ali, no meio de tudo: entre o caçador e a caça, entre o rio e quem bebe dele, entre a fome e o respeito. Dizem que ele muda de forma conforme a necessidade. Às vezes vira veado, às vezes anta, às vezes só uma sombra. Sempre toma a aparência do animal que o caçador mais deseja.

E é justamente na hora da flecha que ele se revela.

Anhangá não proíbe a caça. Ele pune o excesso. Quem caça para comer, para sustentar a família, para viver, passa pela mata com cuidado, como quem visita a casa de um parente: pede licença, agradece e não bagunça mais do que o necessário. Mas quem mata por diversão, por ganância ou por não saber parar… esse se perde. Anhangá o engana, faz ele andar em círculos, até que a noite ensine o que o dia não conseguiu.

Porque a mata não é só recurso. É relação.

Os colonizadores tentaram transformar Anhangá em demônio, para enfraquecer as crenças antigas. Mas quem conversa com os mais velhos sabe a verdade: não existe crueldade nele. Existe justiça. A mesma que a natureza sempre cobra de quem tira mais do que devolve.

É esse espírito que a Tupã Trance traz para a edição de 2026. Não como enfeite ou tema bonitinho, mas como um lembrete sincero. Toda vez que entramos na mata com música, luzes e gente dançando, estamos pedindo passagem. Anhangá está por ali, olhando dos galhos, com aqueles olhos vermelhos, fazendo a mesma pergunta de sempre: o que você veio buscar aqui… e o que vai deixar em troca?

Que a resposta, nos dias 17 e 18 de outubro, seja simples: gratidão, respeito e comunidade. Se a mata continuar nos recebendo todo ano, é porque estamos aprendendo, aos poucos, a diferença entre visitar e tomar.

Quem somos

A produtora Tupã Trance

Não tinha produtora, nem estrutura, nem plano. Só um monte de amigos da Zona Leste e da Zona Oeste de São Paulo que resolveram fazer um churrasco com som no quintal. Chamaram de Churras Trance. Era só isso: carne, gente e eletrônica.

A coisa cresceu rápido. Virou festa de verdade e precisou de nome. Surgiu Tupã, o deus do trovão. Depois vieram Jaci, a lua, Guaraci, o sol, e Ordem dos Povos. Cada edição trouxe um pedaço da mitologia indígena brasileira.

Não foi por estética. Foi porque essas histórias falam de algo que a gente também acredita: viver em respeito com a natureza, pegando só o que precisa e devolvendo o que dá.

Agora, em 2026, chegamos no Anhangá, o guardião das matas. O evento cresceu, a estrutura mudou, tem muito mais gente. Mas o que não mudou foi o espírito: ainda é feito por amigos pra amigos. O quintal ficou maior, mas a família continua a mesma.

Nossos valores

O que guia cada edição

Respeito à natureza

A gente entra na mata e deixa ela do mesmo jeito, ou até melhor. Recolhemos todo o lixo e não deixamos nenhum rastro pra trás.

Comunidade

É aquilo de acolher o outro, dançar junto e dividir o que tem. Aqui ninguém fica isolado, e é difícil alguém dançar sozinho por muito tempo.

Curadoria musical

O line-up passeia por Full On, Goa, Progressive e Forest, misturando nomes já conhecidos com talentos novos. Tudo pensado pra acompanhar o dia: da tarde quente até o amanhecer.

Vamos nessa?

A mata está te chamando

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